Nada do que eu tenho pensado parece fazer sentido, mas de pensar já havia desistido. Concluo que do todo sobrou o que eu sinto. Mas ainda não me certifiquei de nada, afinal, a parte que deveria completar a história não está sob meu conhecimento, e, se está, é do modo mais irônico possível.
Hoje acordei e logo me peguei pensando. Tudo ficou um pouco mais claro e percebi que, aquilo que por mim foi considerado uma dádiva, talvez seja o maior dos meus problemas. Ele passa a ser um problema maior por não haver a confirmação de reciprocidade.
Descobri, enfim, o problema. O jeito de olhar e todos os trejeitos foram absorvidos pela minha memória de uma maneira nunca vista antes. Dentro de um intervalo de tempo recorde. E como já explicado anteriormente, são memórias que acabam perdendo o sentido em si mesmas. O jeito então é pensar em outra coisa.
Cheguei ao ponto de não olhar da janela para que não me deixasse levar pela melodia do refrão mais uma vez. Lembrando do refrão é fácil lembrar dos outros versos. E eles, por sua vez, me colocam de frente com o personagem principal.
O motivo desse cavaleiro aparecer ainda não entendi. Talvez a única solução seja ele mesmo me explicar. O que mais me tortura é ele ser motivo de assovios no chuveiro e de declarações que ficam desencontradas na conversa infinita que tenho comigo mesma todas as noites. E manhãs. E tardes.
Esse monólogo é a minha única opção. Afinal, ainda não recebi sinais que me levariam ao encontro da segunda pessoa da conversa. Recebi um conselho do Chico Buarque. Foi a saída mais ridícula já encontrada até hoje para meu consolo. Não. Chico infelizmente não passa tardes tomando cafézinho na minha casa. E é isso que torna a situação ainda mais ridícula.
Não percebi, mas do jeito que reflito acabo por desafiar o meu próprio sentimento. Faço isso no resto do dia que vai além do tempo que ele passa sendo desafiado por outros tipos de ironia e até pela falta delas. Ultimamente quem faz esse papel é quase sempre a falta delas.

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